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Indicações do MTA

O MTA surgiu no início dos anos 90, como um material experimental desenvolvido pelo Prof. Mahmoud Torabinejad. Ele foi elaborado na Universidade de Loma Linda – Califórnia, Estados Unidos, com o objetivo de selar as comunicações entre o interior e exterior do dente.

De acordo com Lee et al. (1993), originariamente ele foi indicado após a realização de cirurgias parendodônticas, como material retrobturador, e em casos de perfurações intra-radiculares e da furca.

Outras indicações:

  • perfurações resultantes de reabsorções internas e externas comunicantes (veja exemplo de cirurgia abaixo);
  • pulpotomias;
  • capeamento pulpar;
  • apecificação;
  • barreira intracoronária para clareamento dental;
  • tampão apical em casos de dificuldades de travamento do cone principal de guta-percha;
  • obturação em dentes decíduos e permanentes.

MTA na reabsorção

O que permite todas estas indicações é o fato do MTA poder ser utilizado em ambiente úmido, como é o caso da maioria das indicações citadas, em função de sua composição e principalmente pela sua biocompatibilidade.


Composição do MTA

Segundo Lee et al. (1993), o MTA endurece em presença de umidade, se apresenta como um pó de finas partículas hidrofílicas que endurecem após a hidratação. O pó é composto principalmente de silicato tricálcico, aluminato tricálcico, óxido tricálcico e óxido de silicato, além de pequena quantidade de outros óxidos minerais e da adição do óxido de bismuto, principal responsável pela radiopacidade do material.

Ainda, segundo estudo de Torabinejad et al. (1995), as principais moléculas presentes no MTA são os íons Cálcio e Fósforo. Segundo esses autores, como esses íons também são os principais componentes dos tecidos dentais, conferem ao MTA excelente biocompatibilidade, quando em contato com células e tecidos. As análises efetuadas demonstraram que o MTA, após tomar presa, passa a ser constituído por óxido de cálcio na forma de cristais discretos e o fosfato de cálcio, com uma estrutura amorfa, com aparência granular (87% de Cálcio, 2,47% de sílica e o restante oxigênio; as áreas da estrutura amorfa contêm 33% de cálcio, 49% de fosfato, 2% de Carbono, 3% de cloreto e 6% de sílica).

Pro Root MTA

O ProRoot MTA®, lançado em 1998, apresentava-se como um pó cinza, e segundo o fabricante (Dentsply) era composto principalmente de silicato tricálcico (3CaOSiO2), silicato dicálcico (2CaO-SiO2), aluminato tricálcico (3CaO-Al2O3), ferroaluminato tetracálcico (4CaO-Al2O3-Fe2O3), óxido de bismuto (Bi2O3) e sulfato de cálcio dihidratado (CaSO4-2H2O). Segundo o fabricante, o ProRoot MTA® pode ainda conter até 0,6% de resíduos insolúveis livres como a sílica cristalina e outros elementos livres como óxido de cálcio (CaO) e óxido de magnésio (MgO), além de álcalis (Na2O e K2O) sob a forma de sulfatos.

Ao longo do tempo, as publicações a respeito fariam referências à sua composição sempre introduzindo algumas pequenas modificações, talvez pelo fato de que não fosse intenção revelar a verdadeira identidade do produto.


Em 1999, um abstract de autoria de Wucherpfening & Green, relatava que o MTA era quase idêntico macroscopicamente, microscopicamente e pela difração de Raios-X ao cimento Portland (cimento empregado em construções). Os autores acrescentam que esses dois materiais tiveram comportamento similar em cultura de células e também quando aplicados em polpas de dentes de ratos.

MTA como material retrobturador

Também em 1999, em sua dissertação de mestrado concluída na Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – câmpus Araçatuba, Morandi divulgou os resultados de uma avaliação histomorfológica realizada em dentes de cães com lesão periapical, após apicectomia e obturação retrógrada convencional com cimentos à base de óxido de zinco e eugenol e o agregado de trióxido mineral (MTA). O único material retrobturador estudado que estimulou deposição de tecido cementário em íntimo contato com o material selador foi o MTA.

Estrela et al. (2000) estudaram as propriedades químicas e antibacterianas de alguns materiais, inclusive do cimento Portland (Cimento Itaú® MG) e MTA. Os autores observaram que o cimento Portland contém os mesmos elementos químicos do MTA, exceto o bismuto (observação: o óxido de bismuto é acrescentado ao produto para conferir-lhe radiopacidade adequada). Os autores observaram também que o cimento Portland tinha pH e atividade antibacteriana similar ao MTA.

MTA em subcutâneo de ratos

Paralelamente, Holland et al. (2001) estudaram o cimento Portland (Cimento ltaú® de Minas Gerais), o MTA e o hidróxido de cálcio quimicamente puro, preenchendo tubos de dentina e implantando-os em tecido subcutâneo de ratos, da mesma forma como já haviam feito com os dois últimos materiais. Os resultados foram semelhantes entre o MTA e cimento Portland, ou seja, foram observadas granulações de calcita em contato com os materiais estudados, e também dentro dos túbulos dentinários. Além disso, observam também presença de uma ponte de tecido duro Von Kossa positiva. Com o objetivo de confirmar esses dados, outros projetos experimentais foram desenvolvidos.

No início de 2001, o fabricante do ProRoot MTA® modificou algumas informações contidas no MSDS original, acrescentando que o material é composto por 75% de cimento Portland, 20% de óxido de bismuto e 5% de sulfato de cálcio di-hidratado. Esse fato era omitido, até então, nos trabalhos experimentais e bulas originais, conforme atestado, via Internet no site da Dentsply – Tulsa Dental, em março de 1999.


Baseados na série de estudos realizados com o MTA, bem como nos estudos que compararam o MTA com o cimento Portland, a empresa Angelus® da cidade de Londrina – PR, realizou uma série de análises até chegar à fórmula de um MTA nacional, lançando no comércio com a denominação de MTA Angelus®, concorrendo com o Pro-Root MTA® da Dentsply. Uma diferença notada na bula do MTA Angelus em relação ao concorrente importado era a ausência do sulfato de cálcio di-hidratado, o que resultava em um menor tempo de presa.

Mais recentemente, em 2016, a Angelus lançou o MTA Repair HP (High Plasticity), sendo que merece destaque a substituição do radiopacificador utilizado anteriormente, o óxido de bismuto, pelo tungstato de cálcio (CaWO4), sendo que este último promete não causar manchamento da raiz ou da coroa dental, fato comumente observado em casos nos quais o MTA com óxido de bismuto era empregado.

 


Referências Bibliográficas

Estrela C, Bammann LL, Estrela CRA, Silva RS, Pécora JD. Antimicrobial and chemical study of MTA, Portland cement, calcium hydroxide paste, Sealapex and Dycal. Braz Dent J 2000; 11:3-9.

Holland R, de Souza V, Nery MJ, Faraco Júnior IM, Bernabé PF, Otoboni Filho JA, Dezan Júnior E. Reaction of rat connective tissue to implanted dentin tube filled with mineral trioxide aggregate, Portland cement or calcium hydroxide. Braz Dent J 2001; 12:3-8. 

Lee SJ, Monsef M, Torabinejad M. Sealing ability of a mineral trioxide aggregate for repair of lateral root perforations. J Endod 1993; 19:541-44. 

Morandi R. Avaliação histomorfológica realizada em dentes de cães com lesão periapical, após apicectomia e obturação retrógrada convencional com cimentos à base de óxido de zinco e eugenol e o agregado de trióxido mineral [dissertação]. Araçatuba: Faculdade de Odontologia de Araçatuba, Universidade Estadual Paulista ; 1999.

Torabinejad M, Hong CU, McDonald F, Pitt-Ford TR. Physical and chemical properties of a new root-end filling material. J Endod 1995; 21:349-53.

Wucherpfening AL, Green DB. Mineral Trioxide vs Portland cement: two biocompatible filling materials. J Endod 1999; 25:308. (Abstract) 


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Welington


Welington
Welington

Dentista. Professor. Militar. Coach. Empreendedor. Entusiasta da internet como ferramenta para contribuir positivamente com a sua missão.

    6 respostas a "Mineral Trioxide Aggregate (MTA)"

    • Ana Maria Meo

      Excelente! Artigo de conteúdo didático de fácil entendimento.

      • Welington

        Olá Ana Maria! Muito obrigado pelo interesse e pela mensagem! Fico feliz que tenha gostado e espero que tenha sido útil de alguma maneira para a sua prática clínica. Forte abraço, WPJ.

    • Flávia

      Existe algum estudo do cimento Portland em humanos?

      • Welington

        Olá Flávia! Muito obrigado pelo interesse e participação. Pesquisas com cimento portland em humanos, eu não me lembro agora. Mas o importante é reconhecer que o MTA é 75% a 80% constituído de cimento portland, e todos os testes em animais mostram os mesmos resultados físicos, químicos e biológicos entre o cimento portland e o MTA. Forte abraço, Welington.

    • Augusto

      Bom dia ,muito obrigado por dividir conhecimentos da odontologia Dr.Welington,será que poderia disponibilizar vídeo aulas do sistema protaper manual,rotatório,sistema recíproco,e wave onde,e mais algum similar,pois isso me ajuda muito devido minha falta de condições financeiras infelizmente de frequentar cursos presenciais,mesmo após 25 anos de formado, isso por causa de uma estrutura totalmente deturpada,errônea de prática de saúde pública ,que nos tira o “ganha pão”,no dia dia de consultório particular .Um grande abraço !Augusto

      • Welington

        Olá Augusto! Muito obrigado pelo seu interesse e pela mensagem. Eu tenho algumas aulas no YouTube e algumas aqui no blog sobre preparo do canal radicular. Em uma delas eu falo bastante sobre o ProTaper.
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        Forte abraço, Welington.

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