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“Nos primeiros dia do Império Romano, as novas seitas cristãs gozaram de privilégios e isenções, mas durante e depois do reinado de Nero, sofreram uma série de repressões e perseguições. Por volta do ano de 225, a Igreja se encontrava em rápido crescimento, o que era motivo de inquietude para o governo, porque se negava a reconhecer a religião do Estado e a divindade do imperador. Os não cristãos consideravam suspeitas muitas de suas práticas e atitudes, e durante o século III tiveram lugar várias sublevações contra os cristãos em muitas cidades do Império.

Os padres da Igreja destes primeiros tempos mantinham contato entre eles por carta. Numa destas missivas, dirigida a Fábio, bispo de Antióquia, e recolhida pelo cronista Eusébio (265-399?) em sua História da Igreja, Dionísio, bispo de Alexandria, conta a história de Apolônia. Irmã de um eminente magistrado de Alexandria, tendo sido presa, permitiram que escolhesse entre renunciar ao cristianismo e abraçar a fé pagã, ou ser queimada amarrada a um poste. Ao negar-se a ceder, a multidão tomou posse desta virgem maravilhosamente formada, Apolônia, e quebrou em seguida seus dentes, ameaçando-a com a fogueira. Vendo a pira acendida e a morte próxima, Apolônia pediu para ser desamarrada, para que pudesse ajoelhar-se e rezar suas preces. Depois que a desamarraram, caminhou por entre as chamas, demonstrando assim que morria por sua própria vontade, mártir de sua fé.

FullSizeRenderFigura 1. O martírio de Santa Apolônia é o tema desta ilustração do Livro das Horas de Etienne Chevalier, de Jean Fouquet. Apesar de que em seguida à sua morte em 249 d.C., tenha sido descrita como uma diaconisa de idade avançada pelo bispo de Alexandria, a santa é representada normalmente como uma jovem formosa. Fouquet mostra a santa, enquanto seus torturadores extraem seus dentes, e uma audiência, que bem poderia ser a de uma comédia milagrosa medieval, assiste o espetáculo. O ator à esquerda expões suas nádegas, de forma pouco respeitosa. Musee Condé, Chantilly.

A lenda diz que, enquanto se consumia no fogo, bradou que os que padecessem de dor de dentes e invocassem seu nome, se livrariam do sofrimento. Apolônia foi canonizada em 249, e seu aniversário é comemorado no dia 9 de fevereiro.

O culto associado a Santa Apolônia se desenvolveu com relativa rapidez na Europa, provavelmente devido à ubiquidade das enfermidades dentais. Praticamente cada igreja e catedral do continente possui alguma imagem da santa, seja esculpida ou em vitrais, afrescos, ou bordados. Seu martírio foi motivo para muitos quadros de pintores, que vão desde os mestres mais reconhecidos, até os mais modestos pintores populares. E apesar de Dionísio se referir a Apolônia especificamente como uma mulher madura, ela tem sido representada universalmente como jovem e formosa.

O estudo da iconografia da santa tem proporcionado abundantes informações sobre estas primeiras práticas odontológicas. Apolônia é representada sempre empunhando um boticão (frequentemente com um molar preso entre suas pontas), que varia segundo as representações; alguns não são muito diferentes dos atuais, e outros, com quase um pé de comprimento, se parecem muito às torqueses dos ferreiros.

O culto de Santa Apolônia incidentalmente enriqueceu também nosso conhecimento acerca do teatro durante a Idade Média, pois as obras que descreviam as vidas dos santos eram muito populares nesta época. As peças eram representadas com frequência nos pátios das pousadas, com a audiência assistindo dos balcões alinhados das casas que estavam voltadas para o cenário. Em meados do século XV, um rico cavaleiro, chamado Éttiene Chevalier, encomendou um livro de rezas (devocionário contendo as orações diárias prescritas) a Jean Fouquet, um dos maiores pintores europeus. Fouquet pintou uma pequena representação de cenas religiosas na parte inferior de cada página, e uma destas cenas mostra o público que observa atores representando o martírio de Santa Apolônia (Figura 1). Esta é a única representação contemporânea de uma comédia milagrosa medieval que chegou até nossos dias.”

Ring ME. História Ilustrada da Odontologia. Editora Manole Ltda.


Welington
Welington

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